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Resenha: Bem-vindos à livraria Hyunam-dong
Olá! Espero que esteja bem (e não esqueça de tomar água).
Antes de começar a resenha, se quiser dar uma olhadinha no meu post sobre “Como voltar a ler?”.
Meu aniversário está chegando e pedi de presente pros meus pais este livro que havia visto em destaque na Bienal do Livro SP 2024: "Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong". A Autora Hwang Bo-Reum esteve presente no evento e havia um painel como se fosse a livraria da capa do livro.
Sim, eu confesso que ás vezes (muitas vezes) julgo o livro pela capa, e também desde o ano passado tenho me interessado por doramas e havia lido o livro também coreano “A Inconveniente loja de Conveniência” no qual me apaixonei e portanto gostaria de ler um livro que fosse nessa pegada.
E valeu a pena pegar este livro porque achou bonita a capa e por ser coreano? Sim, muito hahah
** Não vou dar spoilers, no máximo citar algumas frases soltas do livro**
Introdução
A protagonista após muitas desilusões com a vida no geral ela larga tudo para realizar seu sonho de infância que é abrir uma livraria. Achei que seria um livro clichê, afinal que millennial às vezes não quer largar tudo e viver seu sonho de ser um Treinador ou Treinadora Pokémon (rsrs)? Mas só porque é real, não significa que seja clichê, pois a autora consegue muito bem passar as inseguranças da personagem e incertezas da vida e como a vida é incerta, o rumo da história também o é.
História e Personagens
A livraria de bairro Hyunam-Dong é um lugar aconchegante e acolhedor no qual os personagens vão construindo esse ambiente e indiretamente apoiando uns aos outros. Não só a gente acompanha os dilemas da protagonista e como ela vai fazer pra conseguir manter a loja, mas também como os dilemas dos personagens secundários que também são importantes e enriquecem a história, entre eles uma fornecedora de café que vive presa num casamento tóxico, um barista sem rumo, uma mãe preocupada com o filho e também a individualidade dela como pessoa, um adolescente desinteressado com a vida, uma desempregada que está tratando sua saúde mental, entre outros.
“Você já fechou o primeiro botão da sua camisa?”
No livro um dos personagens o Minjun (barista da livraria), traz esse modelo de pensamento da família dele que diz que ao fechar o primeiro botão da camisa (se esforçar e estudar muito) os demais botões serão mais fáceis de fechar (conseguir um trabalho digno e uma vida confortável), mas ele fica perdido e decepcionado que ao fechar este primeiro botão os demais não se fecharam tão facilmente, isto é, ele não conseguia emprego e se achava uma decepção. Mas quantas vezes a gente se esforça e as coisas parecem que não dão resultado? O livro trabalha muito bem o dilema deste personagem e o caminho que ele traça até se encontrar. E traz o questionamento: E o que é uma vida confortável pra VOCÊ?
O interessante é que o perfil asiático é diferente do nosso oriental, nós somos mais abertos ao diálogo e contamos mais sobre nossas vidas, então o jeito que eles lidam com suas questões é diferente culturalmente da nossa, mas ainda sim é muito fácil se identificar tanto nos problemas em si quanto das resoluções mesmo com essa contramão cultural.
A temática traz muitas reflexões além desta sobre o que é uma vida confortável, qual o peso e responsabilidade do trabalho em nossas vidas, qual o propósito de cada um, auto cobrança, sonhos, encerrar ciclos e também como recomeçar.
Conclusão
Como uma millennial, me identifiquei demais com os personagens, mesmo tendo personagens mais novos acredito que um adolescente por exemplo não seria o público alvo desta obra, mas o adulto consegue até se enxergar nele, porque ás vezes mesmo como adultos nos sentimos perdidos e desinteressados nas coisas. Este livro se torna a própria livraria Hyunam-Dong, pois ele te acolhe também de uma forma que você acaba se pertencendo ali, com suas próprias questões. Pra mim ele veio na hora certa pois muitas reflexões que estão nele é o que estou tendo dentro de mim e até mesmos encontrei respostas para algumas perguntas que buscava, mas também tive novas perguntas para a vida.
Se você procura um lugar acolhedor que te faça sentir um quentinho no coração, com certeza esta leitura vai te servir de abrigo.
Fechamento e adicionais
Trechos que pra mim foram marcantes:
"No fim das contas, só há apenas uma resposta: a que está no seu coração no momento. Afinal, não é isso que significa viver? Seguir em frente com a resposta que você tem, enfrentando adversidades, tropeçando e se levantando. Até o momento em que você percebe que a resposta certa, na verdade, estava errada. Então você continua e procura por outra resposta. Viver é isso. A resposta certa muda ao longo da vida. "
“Dizem que ler um livro deixa a nossa visão mais nítida, o que nos faz entender o mundo melhor. Quando entendemos o mundo, nos tornamos mais fortes - e muitos associam força com sucesso. Porém, os livros não só nos fortalecem, como também causam sofrimento. Eles nos mostram as dores do mundo que a nossa visão pessoal e limitada até então não enxergava. Passamos a reconhecer o sofrimento que éramos incapazes de ver. Quando sentimos as dores alheias com tamanha intensidade, fica mais difícil buscar nossa própria felicidade e sucesso. Por isso, acho que nós nos distanciamos do que costuma chamar de sucesso. Graças aos livros, não ficamos acima ou à frente dos outros. Em vez disso, acho que os livros nos ajudam a ficar ao lado deles.”
“Às vezes me pego pensando em como é bom apreciar a brisa. Quando sinto o vento leve da noite no meu rosto, a sensação de sufoco vai embora. Dizem que não tem brisa no inferno, então quer dizer que não estamos no inferno. Que bom, né? Se eu conseguir viver um momento como esse todos os dias, sei que terei forças para continuar. Apesar de nós, seres humanos, sermos muito complexos, também temos um lado simples. Basta experimentarmos um momento assim um momento que alivie nosso sufoco, seja por dez minutos ou uma hora. Um momento que nos faça ter certeza do quanto a vida pode ser boa.”
"A régua que mede o seu valor precisa estar dentro de si. E isso já é o suficiente. Pode não acontecer todos os dias, nem com frequência, mas há momentos em que simplesmente pensamos "isso é o bastante". E, nesses momentos, todo o nervosismo e as preocupações desaparecem, e nós finalmente percebemos que fizemos nosso melhor para chegar aonde chegamos. Estamos satisfeitos e orgulhosos de nós mesmos."
PS: Meu perfil no Skoob, segue lá.
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